Imagem e Consumo Consciente


A imagem ajuda-nos no que queremos sentir, e expressa muito sobre a nossa personalidade e identidade, quando sabemos pôr de parte julgamentos e estereótipos. E hoje quero dizer que uma das coisas que faço, e que partilho na minha história pessoal, é o consumo consciente.


Consumo consciente existe de diferentes formas e uma delas é reutilizar roupa que já temos em casa, usando-a de diferentes formas ou transformando, pedindo emprestado quando temos eventos não frequentes na nossa vida e que normalmente levam a que compremos roupa quando surgem. Como digo, é importante perceber o estilo de vida de cada pessoa. Comprar em segunda mão pode ser uma forma também de consumo consciente, se não cairmos na armadilha de estar sempre a comprar. Podemos ainda pedir emprestado, à mãe, à amiga, a quem sentirmos à vontade, e utilizarmos os recursos disponíveis - adaptar a peça ao nosso estilo, transformando-a ou combinando-a com as nossas, por exemplo.


Para mim, consumo consciente vai também além disso, porque me preocupo com a sustentabilidade em termos ambientais, ou seja, das consequências ambientais da produção das nossas roupas e do desperdício que existe na indústria têxtil, dos testes em animais ou dos produtos animais utilizados nas roupas, e não menos importante das condições que as empresas dão aos seus trabalhadores, e por aí adiante. É moda falar de sustentabilidade, mas é preciso saber o que realmente isto significa. E é muito mais do que aquilo que vemos. Este caminho só está a começar agora.


Hoje falo da minha escolha no passado domingo, um dia especial para alguém próximo. Como qualquer mulher, pensei no que iria vestir e pensei em comprar roupa para o casamento.


Só que mudei de ideia, porque afinal o meu estilo de vida não implica usar roupa de eventos frequentemente, e estamos numa fase em que há ainda menos eventos. Apesar de ter procurado algo que pudesse utilizar no meu dia-a-dia posteriormente, cheguei à conclusão de que poderia reutilizar não só algo que já tinha, como ir ao guarda roupa mais próximo e pedir emprestado, o da minha mãe, que é uma jovem e uma inspiração para mim.


Além disso, decidi outra coisa: não sou maquilhadora nem cabeleireira, mas decidi maquilhar-me e fazer o meu penteado em casa. Primeiro, porque estou com o cabelo curto, e não é difícil fazer algo diferente do dia-a-dia com o cabelo natural. Segundo, porque procuro quando possível que a maquilhagem seja o mais natural possível, em termos de efeito, e se puder usar produtos naturais melhor.


Desde pequena que admiro a minha mãe, a minha musa, e gostava e gosto também de ver as minhas primas, com um sentido estético particular. Todas elas diferentes e todas elas inspiração para mim. Hoje em dia continuo a admirá-las, uso roupa da minha mãe eventualmente quando preciso de alguma peça que não tenho, compro roupa em segunda mão se precisar e visto roupa que as primas minhas me oferecem de vez em quando, desde a adolescência.


Se antes não diria isto, hoje digo com confiança, depois de ver de perto tantas pessoas a precisar, e estando tão cansada do consumismo disfarçado de outras coisas. Eu tenho um guarda-roupa pequeno, desde que fiz voluntariado em 2014, que deixei a roupa que tinha nas malas em São Tomé, na tragédia de Moçambique da Beira também enviei em 2019 e fui mantendo o meu guarda roupa pequeno, comprando quando preciso de substituir algumas peças ou calçado.


Somos feitos de experiências e elas revelam e reforçam os nossos valores. O meu trabalho lembra-me todos os dias o meu caminho de maior consciência.

Então a minha reflexão foi essa para este dia. É fácil ir pelo caminho mais fácil, mas não mais rápido nem menos desgastante. Consegui ainda diminuir o desgaste mental, a preocupação em encontrar algo, porque já tinha a solução, e poupei tempo para me focar em outras coisas importantes.


Com Carinho,

Joana Ribeiro



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